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O desaparecimento da memória Lusa (?)

 
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Autor Mensagem
Luis Moura Serra



Registo: 08 Dec 2005
Mensagens: 494
Local/Origem: Maia

MensagemColocada: Sáb Jan 28, 2006 3:17 am    Assunto: O desaparecimento da memória Lusa (?) Responder com Citação

Requalificação ou Harmonização?


Nasci numas das ex-colónias, nomeadamente em Angola, e lá, enquanto me foi permitido, vivi em liberdade e pude tomar consciência da fraternidade que existe entre as pessoas e do respeito pela vida. Aprendi igualmente a valorizar a “Metrópole” e o mundo português, uma vez que, ainda a morar em Angola, pude conhecer Portugal e o Brasil. Portugal, era não obstante o regime político vigente, uma referência.

Com nove anos vim, como milhares de conterrâneos, para Portugal, sem a consciência da duração da minha estada e do que viria encontrar. Apenas sabia que os tios e primos também vinham e que iria habitar na casa de férias que os pais haviam comprado pouco tempo antes do 25 de Abril de 1974. Ansiava, ainda, pela proximidade que iria ter com outros familiares. Para mim, a vinda para terras lusas foi motivo de alegria.

Esta alegria, com o passar dos anos foi-se esvaindo pois deparei-me com um povo que, não obstante ter feito um enorme esforço de acolhimento de milhares de pessoas, começava a entender o conceito de liberdade que eu sempre havia experienciado, e que não entendia outras formas de estar. Deparei-me com pessoas que não valorizavam o seu País, para quem o que não era nacional é que era bom. A vivência portuguesa era rejeitada, as memórias esquecidas e do construído dizia-se: só temos pedras, casas obsoletas e espaços públicos inadequados. Voltemo-nos para o que vem de fora., imitemos as construções modernas, era a palavra de ordem. Portugal não era um conceito interiorizado na sua população.

Felizmente começo a assistir a uma inversão na forma de estar e do pensamento dos nossos conterrâneos. Tal ficou a dever-se à contínua aprendizagem do conceito de liberdade, em paralelo, com o contributo dos milhares que vieram das ex-colónias, no dia-a-dia da nossa nação. Para tal, contribuiu ainda alguma estabilidade política que assistimos na década de oitenta, o crescimento de gerações pós 25 de Abril, e a realização de eventos, de carácter internacional que foram organizados de forma profissional e que contribuíram para a dotação de infra-estruturas até agora inexistentes. Estou convicto que os efeitos produzidos pela realização de eventos como a “Expo” ou o Campeonato Europeu de Futebol, se prolongarão por várias décadas.

Estas realizações contribuíram em larga medida para que a auto-estima lusa atingisse níveis até agora desconhecidos.

O nível de maturidade que a nação está atingir já permite uma forma de pensar sobre a realidade, as memórias as tradições e sobre o construído que diferem do desprezo a que estes valores estiveram votados até há bem pouco tempo. Já se assiste a acções de salvaguarda, valorização e dinamização de património material e imaterial, por forma a que a memória lusa seja preservada, encontrando-se mesmo estabelecidos estes princípios em legislação adequada, que no entanto, infelizmente, ainda se encontra na sua grande maioria, por regulamentar.

Estas acções que são efectivamente fruto de um novo estádio de pensamento, meritórias, valorosas e exemplificativas pecam, penso eu, por ainda estarem dirigidas para um conjunto de bens – materiais e imateriais – que, após aprofundadas reflexões de certos grupos de estudiosos, optaram por classificar. Assim, existem ainda e infelizmente, memórias que na quase globalidade do território vão sendo destruídas, porque o ainda imbuído conceito de modernidade (a que me apetece chamar de velho do Restelo), vai substituindo o que temos pelo que passaremos a ter. Sou adepto de novas referências, mas não sou, claramente, adepto da substituição de velhas referências.

A requalificação de espaços públicos não deve passar pela destruição mas sim pela harmonização. È contra o tipo de intervenções que devemos estar atentos ás palavras de Wellington: “ o português gosta da paz, não deseja a guerra, mas quando esta lhe é imposta pelas circunstâncias adquire uma força quase mágica em combate”.

Queremos um país igual a tantos, descaracterizado, ou queremos que cada uma das nossas localidades prospere com base nas suas vantagens competitivas, qualificando e vendendo o seu produto suigéneris?
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Luis Moura Serra

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ACarvalho
Visitante





MensagemColocada: Dom Jan 29, 2006 4:17 am    Assunto: Requalificação ou harmonização Responder com Citação

O Luís toca em matérias bastante sensíveis. Quando diz que "Portugal não era um conceito interiorizado na sua população" acerta na "mouche". O meu receio é que o pretérito imperfeito que usa na sua expressão seja muito optimista. Eu acho que o nosso país ainda não é um conceito no coração dos portugueses e esse é um dos motivos por que cada um age de forma tão individualista. Às vezes penso que cada um dos portugueses age como se a Pátria estivesse para acabar e, na iminência dessa eventualidade, procede segundo um princípio muito simples: "SALVE-SE QUEM PUDER!" Depois de abordarmos as questões que coloca, uma pergunta fica sempre no ar: Portugal é viável ou é um acidente histórico?
Sabe que as ruínas de Miróbriga estão ao abandono? Conhece a filosofia do nosso Estado em relação ao património: "deixa andar que não cai." Sabe que é essa a atitude também em relação a estruturas importantes como estradas e pontes, sobretudo no interior. Eu conheço uma estrada no concelho do Redondo que tem hoje quase metade da largura que tinha há 30 anos porque se deixou que as bermas ganhassem terreno, por falta de manutenção. E é uma estrada que liga esta vila à cidade de Estremoz. Essa política já deu tragédias como a de Entre-os-Rios. Hoje, o desleixo tem um nome: racionalização, a mãe de todas as desculpas.
Um abraço
ACarvalho
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Leonel Borges Salvado



Registo: 19 Out 2009
Mensagens: 11
Local/Origem: Valpaços/Vila Real/Portugal

MensagemColocada: Seg Dec 14, 2009 12:57 pm    Assunto: Requalificação ou Harmonização? Responder com Citação

As questões relativas à recuperação, revalorização e requalificação do património, aqui abordadas, são questões que costumam despertar a minha atenção, por serem questões pelas quais tem passado, inevitavelmente, a discussão de um tema que recentemente lancei na blogosfera que é o da sustentabilidade de uma história local e regional, face ao tradicional esquema historiográfico que sempre se compadeceu mais com os sucessos e as figuras históricas de relevo nacional. Procurei sempre deixar bem clara a minha opinião de que a requalificação do património, seja ele o património edificado ou de qualquer outro género, deve ser feita, por via da harmonização e não pela substituição imponderada e até mesmo radical das anteriores referências que, merecidamente, constituem a memória colectiva de um povo por outras que, entretanto, se afigurem de igual merecimento, via essa que deve partir da harmonização das diferentes perspectivas historiográficas que estiveram na base do reconhecimento do seu valor e do estabelecimento de uma relação de confiança e de compromisso entre os respectivos historiadores e os poderes locais. Também o facto de encontrar neste tópico, relativo à Requalificação do Património Edificado, uma concepção em conformidade com a minha, contribuiu para reforçar a minha decisão pela participação no mesmo.

Ainda bem que Luís Moura Serra «no seu pretérito imperfeito» é hoje um português optimista, pela confiança que parece depositar nos seus (nossos) compatriotas, apesar de ter observado desde a sua infância na «Metrópole» que Portugal tinha deixado de ser um conceito interiorizado na sua população.
Por aquilo que conheço a respeito do nosso povo e da denotada de falta de interiorização da «portugalidade», no desprezo pelos valores do seu património, das suas tradições e das suas memórias em determinadas regiões do país, num passado mais ou menos recente, compreendo muito bem os receios manifestados por A. Carvalho, bem como o seu parecer de que Portugal não é ainda um conceito no coração dos portugueses. Poderíamos denunciar muitos outros casos actuais pelo interior deste país, para além do abandono das ruínas de Miróbriga, ou da estrada «encolhida» do Redondo, como exemplos ilustrativos da incúria dos poderes instituídos em relação tanto à salvaguarda do património histórico-cultural, como à melhoria das infraestrururas apontadas ao desenvolvimento, que não chegariam para ofuscar os exemplos opostos de vitalidade e dinamismo que nesse mesmo interior e nesses mesmos contextos se destacaram nas últimas décadas.

É verdade que o egoísmo concentraccionário de negação do patriotismo, se tornou mais claro imediatamente após a Revolução do 25 de Abril pelo uso atabalhoado da liberdade e, mais tarde, pela adopção e generalização de comportamentos europeístas da «não-portugalidade», segundo o conceito, na minha perspectiva um pouco inflacionado por Pinharanda Gomes, mas não é menos verdade que a «crise de identidade lusa» é muito mais antiga, tal como o carácter individualista e idiossincrático do mesmo povo pode remontar, conforme os historiadores, a épocas tão remotas como as Idades do Ferro e do Bronze, sendo neste sentido que se manifesta António Balcão Vicente, por exemplo, para justificar as tendências autonomistas das comunidades ribacudanas que os domínios romano, visigótico e muçulmano ao invés de as apagarem, antes as reacenderam. Não será na sua essência este tipo de comportamento que A.Carvalho atribui aos portugueses de hoje ao responsabilizá-los pela tendência para se entregarem ao simples princípio do «salve-se quem puder»? Não discordo desta tendência e suponho que ninguém a conseguirá negar, mas não a vejo nos dias de hoje como a tendência geral ou tão significativa ao ponto de nos arrastar para uma visão fatalista do conceito. É um tipo de comportamento que fere o patriotismo. Foi muitas vezes, e ainda o é por vezes, através dele que se esvaiu uma grande parte do nosso património cultural, mas também foi, ou pareceu ser a muita gente, a única forma de sobrevivência, conforme as conjunturas históricas que o destino lhes reservou. Foi assim que os portugueses viveram durante a ditadura do Estado Novo, cujos princípios e valores de propaganda nacionalista, eram verdadeiramente sentidos e venerados por um círculo muito restrito da sociedade. O resto dela limitava-se a servir-se a si própria, não através de princípios abstractos, mas de tudo aquilo que de material provesse ao sustento da família. O que viesse a mais era uma bênção, perdoando-se-lhe o mal que fazia à «memória lusa» pelo bem que sabia.
Sei que o que acabo de dizer não constitui novidade para ninguém, mas uma coisa é o mero conceptualismo da realidade, e outra coisa são os testemunhos deixados pelos que vivenciaram os próprios factos subjacentes à verdade elementar dessa realidade, a qual, pelo interesse e curiosidade que podem suscitar, entendi trazer até aqui. Vale a pena conhecer, a título paradigmático desta matéria, as lamentações, preocupações e apelos às autoridades oficiais legalmente instituídas que o Dr. António Vermelho do Corral, um atento observador da realidade antropológica e sociocultural do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, tem vindo a fazer nos editoriais do Ecos da Marofa, um jornal regional local de que é o director, que passo a citar.


Título: «Património Cultural»

«Por volta dos meados do século passado vagueavam livremente pelas ruas das aldeias do nosso concelho animais domésticos como os galináceos e suínos, independentemente dos regulamentos e editais proibitivos. Enxotavam-se as galinhas para não serem esmagadas por automóvel inesperado ou pelas camionetas da carreira nas horas das suas passagens. Fechavam-se nos poleiros ou cortelhas quando se pressentia a aproximação da Guarda Republicana.
Junto à porta de cada fogo deparávamos com frequência com pias cinzelados no granito rijo da região ou, o que era mais curioso e emblemático, com pias feitas a partir do aproveitamento do estilhaços de granadas que a ponta da relha do lavrador foi levantando ao longo dos anos dos campos da Salgadela, em Mata de Lobos, ou outros pontos do concelho onde houvera escaramuças.
Com frequência deparávamos com aparelhagem antiga, como balanças, instrumentos agrícolas ou utensílios profissionais, mobiliário ou outras coisas mais. Numa tarde de Inverno, quando entrevistava velho amigo, encontro num amontoado de papéis velhos um caderno de registo do movimento de um boi de cobrição. Tudo destinado a atear o lume. Salvou-se por acaso. A mesma sorte tiveram alguns livros de registos de casas agrícolas. Etç., Etç., Etc.
Por essa altura aparecem indivíduos comprando ferro velho. O quilo era pago a cinco tostões. Os louceiros trocavam objectos de barro vidrado por tecidos usados de lã. E as mulheres acorriam vendendo quanto podiam para alcançarem alguns escudos para adquirirem na mercearia um bocado de sabão, um quilo de arroz, um pacote de massa. Ou meio litro de petróleo para acenderem a candeia.
Alguns anos mais tarde apareceu um espanhol que arrebanhava tudo quanto aparecia: panelas de ferro, aparelhos de animais, e muitas coisas mais.
Agora anda por aí um peixeiro. E nem as rapadeiras das masseiras, nem os cambões das parvas das eiras escapam.
E o nosso património cultural, que viveu em comunhão com os seus ancestrais titulares longa existência, que se acompanharam em vivências do quotidiano, que compartilharam alegrias e tristezas, desaparece ingloriamente, sem deixar rasto nem lembrança, mas enriquecendo intermediários e cobiçosos.
Tem o concelho alguns museus. Pequenos museus. Mini-museus ousaria chamar-lhes, sem diminuir valor ao seu conteúdo, reconhecendo a enorme importância das suas colecções, e fazendo jus aos seus fundadores e continuadores que lhes dedicaram e continuam a dispensar todo o seu empenhamento, todo o seu desvelo, todo o seu interesse, todo o seu carinho. São dignos de apreço, merecem o nosso reconhecimento, devemos dobrar a cerviz perante tamanha vontade, capacidade organizativa, interesse da comunidade.
Ver partir e desaparecer do nosso convívio objectos etnográficos que passaram pelas mãos de muitos de nós, que de uma ou outra maneira os contemplámos e admirámos, que traduzem capacidade criativa de nossos antepassados, que as suas mãos rugosas e duras da rigidez do trabalho modelaram ou manobraram provocam uma profunda dor de alma e arrasam a sensibilidade de quem os sabe avaliar culturalmente e apreciar como representação de um povo ao qual se roubam os símbolos, se remete à ignorância e ao esquecimento.
Que as entidades oficiais legalmente instituídas tomem as medidas convenientes e necessárias a evitar a espoliação do nosso património cultural. Que cada presidente de Junta de Freguesia recolha todo o material existente e faça a selecção conveniente, que ajude se porventura alguém o ceda por necessidades materiais e que se leve de avançada o museu concelhio que consigo traduza uma imagem plena, completa, total do que foi a organização social da comunidade da alta Cima Côa.
D. Afonso Henriques sentir-se-ia feliz, D. Dinis veria reconhecido o seu esforço, os nossos Avós nos lançariam um grito de regozijo e continuariam vivendo felizes no Além debruçados orgulhosamente sobre seus filhos. Nós. Todos nós. Porque os soubemos honrar.


Fonte: A. V. do Corral , Editorial do Ecos da Marofa, edição de 10 de Maio de 2009.


Em meu entender, esta mensagem focalizada na concretização de um «museu concelhio» e carregada de sentimentalismo patrimonial, mas também de um invulgar realismo literário, não é uma mensagem fatalista, como poderia parecer à primeira vista, mas de esperança, posto que termina com um apelo à boa fé dos homens e manifesta boas expectativas na sua reabilitação e na reabilitação da «memória lusa», que deve ser, mais do que nunca, uma responsabilidade dos poderes locais. O optimismo que transparece do autor, denotava-se já num seu editorial anterior, publicado no mesmo jornal, onde se congratulava com as medidas implementadas pelo executivo autárquico ao nível dos recursos materiais e da requalificação dos recursos humanos que tornaram possível, em 28 de Abril de 2007, a inauguração do Arquivo Histórico Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, do qual passo a citar apenas o excerto que se segue, por ser o que aqui me parece relevante.

[…] «O município de Figueira de Castelo Rodrigo também tinha o seu Arquivo. Estava instalado no sótão do edifício da sede, na Praça Dr. Vilhena, em precárias condições de condicionamento e pobreza de espaço. Era preciso gatinhar para chegar aos documentos, nem sempre bem condicionados. Quantas cabeçadas se não deram na armação do telhado!
A 28 de Abril último foi inaugurado o novo Arquivo Histórico Municipal em moldes modernos e de exemplar processo de funcionamento, em espaço aprazível e convidativo para consulta do seu rico manancial. Ali podemos encontrar documentação respeitante a duas épocas, que parecendo distintas se continuam no tempo: enquanto sede de concelho em Castelo Rodrigo e após a sua transferência para a freguesia de S. Vicente de Figueira, mais tarde Figueira de Castelo Rodrigo.
Ali podemos encontrar uma réplica do Foral de D. Manuel, datado de 1508, cujo original se encontra devidamente guardado em cofre-forte na sede do Município, bem como documentos a partir de 1771, como o Livro de Registo de Leis, Ordens e Provisões.
O Arquivo está devidamente apetrechado com Ficheiros, Inventário em suporte informático para consulta, Regulamento de acesso e utilização, além do conveniente apoio por pessoal qualificado.
Um importante suporte para investigadores e curiosos interessados na vida e história do nosso concelho, a merecer visitas e feitura de trabalhos de pesquisa.»


Fonte: Id. Ibid., edição de 10 de Maio de 2007


Gostaria de acrescentar aqui outros exemplos ilustrativos do empenho quem tem vindo a ser manifestado pelas actuais gerações de figueirenses em acções de recuperação, preservação e divulgação do património arqueológico e cultural e do apoio que têm merecido por parte da Autarquia e que auguram um futuro promissor na recuperação da memória histórica deste povo, mas atendendo a que a minha intervenção se alongou demasiadamente, prefiro não o fazer por enquanto. Termino com a nota final de que considero esses exemplos, juntamente com os que citei, sobejamente suficientes para também me poder confessar optimista nas questões essenciais aqui lançadas que são a da perda da memória lusa e a dos meios de requalificar o património, na mesma linha de optimismo reservado que Moura Serra deixa transparecer, não seja pelo facto de também eu ter nascido numa das ex-colónias e de ter passado, desde os meus doze anos de idade, por uma experiência similar à sua, como aconteceu com milhares de outros portugueses da mesma geração.

Um Grande Abraço.
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Leonel Salvado
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