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Da requalificação, enquanto imperativo ao nível dos recursos

 
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Autor Mensagem
Luis Moura Serra



Registo: 08 Dec 2005
Mensagens: 494
Local/Origem: Maia

MensagemColocada: Sáb Jan 28, 2006 3:11 am    Assunto: Da requalificação, enquanto imperativo ao nível dos recursos Responder com Citação

A história que vos descrevo, e que me foi transmitida recentemente, espelha de forma clara que a vertente individualista dos portugueses já se encontra imbuída na nossa forma de estar da mesma forma que entendo que a forma de estar dos italianos reflecte séculos de convivência com variadas culturas.

Quando há séculos atrás os oceanos eram atravessados por caravelas holandesas, inglesas, espanholas e portuguesas, ocorria um fenómeno deveras estranho e que acarretava para o Reino de Portugal elevados custos materiais, assim como a perda de vidas humanas.

Em tempos de paz, as caravelas portuguesas ardiam com inúmera frequência, quando comparadas com as das outras nações. Foi encontrada como argumentação o facto de que, enquanto nas caravelas dos demais países havia um espírito comunitário que se reflectia na existência de uma única cozinha, e uma cantina, na qual as refeições eram servidas, no caso das portuguesas cada marinheiro fazia a própria refeição no seu beliche, no qual aquecia a sua comida com um fogareiro o que, como se pode facilmente depreender, aumentava sobremaneira o risco de incêndio.

Esta forma de estar poderá reflectir a pouca apetência que os portugueses têm para o estabelecimento de parcerias, bem como a natureza individualista que nos caracteriza, e poderá ser um dos factores que determina a nossa forma de estar na arte do “desenrascanso”.

Quando aliamos este factor à alteração que se assiste, nos nossos dias, na nova organização mundial de trabalho, relativamente à qual posso com muita segurança afirmar que “indústria é coisa do passado”, Portugal deve fazer uma análise profunda sobre a sua especialização futura, caso não se queira condenar ao fracasso nesta “nova ordem mundial”.

Assim, entendo que o caminho que devemos percorrer é o da terceriarização da economia e aproveitar as características ímpares que possuímos em termos de clima, de paisagem diversificada e de património construído. Com estas valências, será possível, através do estabelecimento de parcerias público-privadas, requalificarmos e promovermos as nossas mais-valias territoriais e a nossa identidade, para que sejamos capazes de gerar valor acrescentado, pelo recurso à actividade turística.
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Luis Moura Serra

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ACarvalho
Visitante





MensagemColocada: Dom Jan 29, 2006 3:45 am    Assunto: Requalificação Responder com Citação

A requalificação dos recursos com vista à "terciarização" da nossa economia é de facto um caminho urgente. A esse, acrescento uma outra vertente: a formação tecnológica e a reconversão de muitos dos nossos desempregados para a área. A estratégia de Lisboa está por implementar. Pode ser também um trunfo se nos lembrarmos que até já fomos pioneiros nalguns segmentos como os cartões pré-pagos dos telemóveis e a via verde. Quer nos serviços quer nas tecnologias, imaginação e espírito empresarial precisam-se com urgência, já que, como diz o Luís e muito bem, a indústria já não dá mais nada.
ACarvalho
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LIANA CYSNE BRAUN 1



Registo: 19 Abr 2006
Mensagens: 13
Local/Origem: FORTALEZA - CE - BRASIL

MensagemColocada: Sex Ago 25, 2006 12:02 am    Assunto: (Re)qualificação da mão-de-obra, em prol do desenvolvimento Responder com Citação

Toda evolução demanda investimento pesado em educação. Um adulto analfabeto está condenado a sub-empregos e a ser enganado vida afora, pois não tem o suporte necessário que o habilite a analisar e discutir temas difíceis num mundo cada vez mais complexo e seu talento pessoal talvez esteja perdido para sempre, unicamente porque essa pessoa ainda não sabe ler; e ler só não basta, é preciso saber interpretar o que se lê, e o exercício de interpretar a vida escrita leva tempo, tempo que essa pessoa já perdeu porque cresceu sem ler, sem estudar. Alfabetizar adultos pode parecer lindo, é bonito aliás, antes tarde do que nunca, mas esses adultos não terão mais tempo para se tornarem engenheiros, médicos; muitos deles não passarão da fase de tropeçarem em frases, sem conseguirem interpretar corretamente um texto inteiro. São vidas perdidas, talentos não desenvolvidos, tornam-se massa de manobras para o crime, gado para eleger maus políticos.
Assim, a principal riqueza de uma nação é a educação. Tudo funciona bem a partir de uma boa educação para todos. Isso exige boas escolas, com o mesmo padrão de ensino sejam elas públicas ou privadas, com bons e bem remunerados professores, dando a eles as condições de estarem sempre se reciclando e fazendo cursos. Só na instalação e manutenção de escolas de alto nível exige mão-de-obra qualificada dirigida para esse setor. São eles, os engenheiros e arquitetos dos projetos de construção de cada escola, isso dá emprego a operários, pintores, eletricistas. Depois da escola construída entram em cena outros profissionais qualificados, como professores, pedagogos, psicólogos, técnicos em informática (toda boa escola moderna deve ter pelo menos uma sala com computadores e acesso à internet), nutricionista, cozinheiros organizando a cozinha e a área de refeição dos alunos, um médico e enfermeiros para o ambulatório de emergência da escola. Enfim, cada boa escola que forma crianças para a vida já é um universo sedento de mão-de-obra especializada e bem qualificada. No meio do caminho entre a escola e a Universidade, devem existir bons centros de pesquisas e capacitação de nível médio, com outras equipes de profissionais dirigidos a esse setor, são o que chamamos no Brasil de escolas técnicas. E o que falar ainda da Universidade, nesse belo padrão de ensino para uma nação forte? O aluno que sair dessa Universidade é um belo candidato a um prêmio Nobel dentro da área que seu talento pessoal moldou, as escolas formaram e a Universidade dilapidou. Estudar sempre e cada vez melhor é o caminho para a evolução sustentável de um país decente.
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LIANA CYSNE BRAUN
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Luis Moura Serra



Registo: 08 Dec 2005
Mensagens: 494
Local/Origem: Maia

MensagemColocada: Sáb Jun 21, 2008 5:31 pm    Assunto: Da formação e do desempenho empresarial Responder com Citação

Apesar de já ter proferido a minha opinião, aqui neste fórum, sobre a formação dos recursos humanos, gostaria de transcrever um resumo conclusivo de um texto de Maria Manuela Nave Figueiredo, publica no n.º 100 da Revista Dirigir, que pode lançar o mote para uma "discussão" sobre a relação entre desempenho empresarial e formação:

"A integração de funções para a obtenção de objectivos estratégicos, a idiossincracia, a cultura de aprendizagem e a gestão do conhecimento parecem ser soluções para a criação de mais valor e sustentar a competitividade. Nesta perspectiva, importa perceber como é que os beneficios da formação são maximizados pela sua integração com outras variáveis como tecnologia, as práticas inovadoras de gestão de recursos humanos, a forma como se organizam e desenvolvem as práticas de trabalho, o envolvimento e as atitudes da gestão, a capacidade de inovação e os objectivos das organizações. Ou seja, como é que a formação se <<move>>, no sentido em que pode ser potenciada ou constrangida nestes contextos cada vez mais complexos em termos de gestão, mas mais simples, ágeis e flexíveis em termos de funcionamento, é uma das questões que necessita de uma resposta mais clara.

Por outro lado, existe a convicção de que a competitividade das empresas e as polítcas de valorização dos recursos humanos se relacionam positivamente, o que determina que muitas mepresas apostem fortemente nas competências dos recursos humanos, designadamente através da formação, para sustentar essa competitividade. No entanto, parece ainda indefinida a causalidade da relação, ou seja, é a competitividade que gera as políticas de valorização dos recursos humanos (através do esforço em formação) ou são as politicas de valorização dos recursos humanos que geram a competitividade, ou será que ambas co-variam em função de outras variáveis?
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Luis Moura Serra

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